08/02/2010 - 10h45min - Atualizado em 08/02/2010 - 10h45min
Policiais militares eram contratados por fazendeiro para dar segurança particular a um plano de manejo de R$ 2 milhões. Pelos menos três pessoas foram assassinadas pelo grupo.
Da reportagem do TUDORONDONIA
A Polícia Civil prendeu na sexta-feira (5) o empresário Adaildo Araújo da Silva, dono de uma fazenda no município de Porto Velho. Ele é acusado de ser o mandante de pelo menos três homicídios no distrito de União Bandeirantes, quando foram mortos os sem-terra Adalto da Silva Filho, o Baca; Edmilson Gomes de Oliveira e Evandro Dutra Pinto. Os dois últimos ( cunhados) foram mortos em queima de arquivo porque viram na hora em que os criminosos carregavam o corpo de Baca.
Nesta segunda-feira, o diretor –geral da Polícia Civil, Morio Ikegawa, e o secretário estadual de Segurança, Defesa e Cidadania, Evilásio Sena, deram entrevista à imprensa, quando divulgaram detalhes sobre o caso. Eles confirmaram o envolvimento de policiais militares rondonienses em grupo de extermínio agindo como milícia para dar proteção à propriedade de um fazendeiro.
Segundo a polícia, o empresário Adaildo contratou os policiais militares Claudiomar Oliveira de Assis, mais conhecido por De Assis; e Paulo César Barbosa para darem segurança particular a um plano de manejo na região do distrito de Jacy Paraná, onde existe um permanente conflito agrário envolvendo sem-terras e o fazendeiro. Os policiais militares recebiam R$ 6 mil quinzenalmente pelo serviço de proteção à propriedade particular.
No dia 20 de novembro de 2008, segundo consta do inquérito, os policiais militares, juntamente com Givanildo Bezerra da Silva, o Nildo, empregado do fazendeiro Adaildo, e o boliviano Samuel Ynuma Vaca, o Bolívia ou Samuca, mataram a tiros o sem-terra Adalto da Silva Filho.
Antes, Adalto foi torturado, chegando, inclusive, a levar tiros na mão para informar à milícia o paradeiro do líder sem –terra José Gonçalves Filho, o Zé Venço. Casualmente os cunhados Edmilson e Evandro passavam no local do crime em uma moto e testemunharam quando os PMs e os empregados do empresário Adaildo tentavam se livrar do corpo de Adalto, por isso foram mortos em queima de arquivo.
De acordo com a polícia, o próprio fazendeiro Adaildo Araújo da Silva, mandante do crime, estava presente na execução do sem –terra e, posteriormente, das testemunhas.
A motivação do crime seria garantir a propriedade de Adaildo , consistente num plano de manejo florestal avaliado em R$ 2 milhões. O crime em que foram vítimas os três trabalhadores rurais ocorreu na linha 8, Km 15, no distrito de União Bandeirantes.
Estão presos o empresário Adaildo, os policias militares Claudiomar Oliveira de Assis, Paulo César Barbosa e o empregado de Adaildo, Givanildo Bezerra da Silva.
O boliviano Samuel Ynuma Vaca, preso pela polícia no distrito de Extrema, teria conseguido fugir quando era trazido para Porto Velho.
Segundo o diretor geral da Polícia Civil, Morio Ikegawa, o boliviano, após dar várias informações aos policiais que o escoltavam, disse que iria mostrar a arma que teria utilizado para participar da chacina. No local indicado, uma linha já na fronteira com a Bolívia, Vaca teria dito que as algemas estavam muito apertadas, causando-lhes hematomas nos pulsos, e pediu que fossem afrouxadas.
Conforme a narração do delegado Morio, quando os policiais afrouxaram as algemas, o boliviano teria investido contra eles a cotoveladas, conseguindo desvencilhar-se da escolta e fugindo para o mato, não sendo mais localizado. Hoje é dado como foragido e a Corregedoria da Polícia investiga o fato.
OUTRAS VÍTIMAS Um outro inquérito envolve também o policial militar José Anemias Barbosa da Silva e Claudinei do Nascimento, acusados de participar do mesmo grupo de extermínio que matou os três trabalhadores rurais.
O inquérito envovendo o PM Jó e Claduinei apura tentativa de homicídio contra Dorval Roberto da Silva e José Lopes Silva, que sabiam das ameaças contra um sem-terra chamado Isaías, que desapareceu sem deixar vestígios. Eles foram vítima de tentativa de homicídio porque resolveram revelar às autoridades o que estava acontecendo na região. Foi uma tentativa de queima de arquivo.

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