07/02/2012 - 09h20min - Atualizado em 07/02/2012 - 09h20min
Valdemir Caldas
O deputado estadual Zequinha Araújo (PMDB - Porto Velho) participou, na noite de domingo (5), da abertura do “Carnaleste” (o Carnaval da Zona Leste). O evento, patrocinado pelo governo do estado de Rondônia, como deixou claro o apresentador, aconteceu na rua Benedito Inocêncio da Silva, em frente à escola Daniel Neri, no bairro JK II.
Depois de dar o seu recado à platéia, composta, em sua maioria, por adolescentes, Zequinha desceu do carro de som, deu sonoras gargalhadas, cumprimentou algumas pessoas e entrou num desses carrões de luxo e se mandou.
Zequinha, para quem não sabe, foi visgado pela Polícia Federal na operação Termópilas. Ele (e mais um punhado de colegas seus) é acusado de participar de um esquema de propina, comando pelo ex-presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, Valter Araújo, que está foragido da justiça.
Mas nada disso, porém, parece tirar o bom humor e o sono de Zequinha. O que pensam a justiça e o povo sobre o escândalo não o incomoda. No fundo, Araújo sabe que tudo acabará em pizza. Afinal, essa não é a primeira que ele é flagrado escondendo dinheiro público na cueca, sem que nada lhe tenha acontecido. Por que, agora, seria diferente?
Fosse Zequinha um servidor público comum, já teria sido afastado de suas funções e estaria respondendo a um processo administrativo ou até mesmo a uma sindicância. Caso condenado, seu salário já teria sido confiscado e o acusado obrigado a oferecer bens à penhora, como pagamento do dano causado ao erário.
Mas não com Zequinha. Além de deputado, ele faz parte de um seleto grupo que tem grana para pagar experientes advogados, que conhecem os meandros do judiciário e sabem como empurrar um processo até a prescrição da pena.
Por isso, Zequinha não está nem aí para ninguém, tampouco para os néscios que o elegeram. Para tanto, ele conta, entre outras coisas, com o corporativismo malsão e a impunidade penal, que muitos confundem com imunidade parlamentar.
Prova disso é que até hoje a ALE não puniu nenhum dos envolvidos no escândalo. Não fez isso antes e, certamente, não o fará, agora. Enquanto isso, Zequinha continuará debochado do povo e da justiça. Bem feito!

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