Em Linhas Gerais: Mesmo com a Polícia e o MP batendo à porta, tema da corrupção não é a tônica entre políticos rondonienses

Gessi Taborda 

Publicada em 16 de November de 2016 às 09:34:00

getaco@gmail.com

FILOSOFANDO

O futuro não chega a ser, para um brasileiro, obscuro, distante e vil como os anos passados. Somos, como diz o vulgo em sua infinita vulgaridade, o país do futuro.” IVAN LESSA (1935/2012), jornalista e escritor brasileiro que foi editor do Pasquim e se tornou cronista da BBC Brasil, em Londres, a partir de 2978.

LIMPEZA NECESSÁRIA

A prisão do prefeito de Vilhena, José Rover, na semana que passou, pela prática da corrupção desenfreada, serve para manter na pauta do debate político o tema corrupção no estado de Rondônia. Se o assunto é predominante hoje entre as pessoas do povo e à imprensa não domesticada, o mesmo não se pode dizer dos políticos. Eles continuam refratários a examinar esse tema, preferindo-se dedicar a coisas mais amenas e sem nenhuma importância para arejar as instituições estaduais, livrando-as dessa praga.

BAIXO NÍVEL

Não só o temor dos políticos locais em falar de espeto de pau em casa de ferreiro; mas também o baixíssimo nível de uma Assembleia Legislativa composta por estranha fauna de “excelências” nominadas esdruxulamente com exóticos “Tô na Bença”, entre outras bizarrices, impede que fatos bombásticos como a prisão do prefeito repercuta no nível desejado na chamada “Casa do Povo”.

ALIENADOS

Enquanto tudo isso acontecia, a casa legislativa mais importante do Estado seguia sua batida comum de homenagear servidores do falido sistema de segurança pública estadual e até uma seita religiosa na enfadonha sina de distribuir mimos de caráter meramente eleitoral. 

E os assuntos verdadeiramente importantes escamoteados como sempre do debate político. Difícil acreditar em tamanha alienação dos políticos locais. Mas foi isso que se viu: nenhuma manifestação dos representantes do povo sobre a prisão do prefeito, do vice, e de vários vereadores, todos corruptos, na importante cidade de Vilhena.

É SÓ BOBAGEM

Essa opção pela postura do avestruz de nada servirá, politicamente, aos personagens do parlamento. Aliás, a qualquer personagem colocado nessa ribalta. No caso dos parlamentares é mera bobagem. Eles, queiram ou não, só podem melhorar seu espaço político-eleitoral se refletirem sem medo aquilo que os eleitores pautam no diálogo das ruas.

INCONFORMISMO

Diante dos resultados eleitorais das eleições de Vilhena – sempre favoráveis a figuras ligadas aos métodos da corrupção como forma de açabarcar o poder – é lícito concluir que até agora parte importante daquela população ainda não considera importante livrar-se de políticos manipuladores, corruptos identificados, nomes condenados judicialmente por desvios e toda sorte de maracutaias para promover o enriquecimento ilícito com a depredação do erário. Talvez seja vendo por esse ângulo que nossos políticos, tanta na representação local como em Brasília prefiram se calar diante de tanto descalabro.

É BASE DE LUISINHO

Mas para nós da mídia, comprometidos em explicar e interpretar as nuances da opinião pública, não dá para esconder essa realidade. E nesse momento, não há dúvidas: o estado de Rondônia não aceita, não quer e não se conforma com a corrupção em larga escala, praticada nos limites do Cone Sul, onde políticos como o deputado Luisinho Goebel mantém sua base eleitoral, dividindo espaço com o clã Donadnon, um time reconhecidamente do balacobaco.

INERENTE

Para muitos a corrupção é inerente ao ser humano e existe desde o surgimento do ser humano na face da terra. Esse seria mais um motivo para que essa doença seja com rigor, através de leis, atitudes e punições que possam sua presença nefasta, como se registra hoje na quase totalidade dos municípios rondonienses.

PRIORIDADE

O prefeito eleito Hildon Chaves deve começar efetivamente a fase de transição do governo municipal da capital rondoniense nessa semana. É bom não esquecer que durante a campanha Hildon colocou o combate à corrupção como prioridade de sua gestão. Isso é bom, até pela capacidade de poder revelar, certamente, que o prefeito em fim de carreira Mauro Nazif também não foi refratário à prática da utilização do Poder para atender interesses antirrepublicanos.

CABIDE DE EMPREGOS

Sobre a péssima gestão que termina não pairam dúvidas e suspeitas apenas na ação desastrada da tal “solução emergencial” para o transporte urbano, que colocou nas mãos de um empresário de Porto Velho e do Amapá (?) a mina de arrecadação desse serviço.

O novo prefeito deverá apurar também as denúncias da gastança praticada até em setores mais prosaicos, como o gabinete do prefeito Nazif.

Consta que ele chegou ao despautério de ter quatro vezes mais funcionários do que o número registrado na – pasmem leitores! – Casa Civil do governo do Estado de São Paulo. Se confirmada essa suspeita, está ai mais uma evidência clara de como se praticou a corrupção sem limites na gestão desse cacique do PSB rondoniense.

ABSURDO

Enquanto no gabinete da Casa Civil do governo paulista apenas 65 servidores são lotados, no de Mauro Nazif o número chega aos inacreditáveis 224. Imagine o tamanho do gasto da prefeitura dessa cidade que não tem esgoto ou água tratada para todos para sustentar esse batalhão de gente lotada no gabinete do prefeito.

MEQUETREFES

Os vereadores mequetrefes da Câmara Municipal nunca verificaram isso, nunca fiscalizaram o prefeito. Os mesmos vereadores que agora fazem todo tipo de manobra para aumentar ainda mais seus absurdos estipêndios.

Com o dinheiro torrado pelo gabinete do (lamentavelmente) ainda prefeito de Porto Velho dava para o município comprar algo próximo de 50 ambulâncias ou construir uma escola, ou então 100 casas populares

PROTECIONISMO

Certamente Hildon Chaves vai escarafunchar os ralos por onde a gestão Mauro Nazif andou torrando o dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor. 

E assim – quem sabe – a população acabará descobrindo que aquela cara de dervixe do prefeito apeado da vida pública era apenas uma espécie de máscara. Para a imprensa não domesticada Nazif sempre foi visto com desconfiança, principalmente a partir do momento da caracterização de seu mano Gilson como o lua-preta do lamentável.

DIREITO DE SABER

Mas agora – o que se espera – com Hildon Chaves levantando tudo até então encoberto, a população terá esclarecimentos sobre a utilização do gabinete do prefeito como esconderijo de luxo para figuras que nem deveriam aparecer na folha de pagamento do município.

Esse o caso de Mirce da Cunha Silva Machado tida a princípio como Engenheira de Tráfego da Semtran, de onde foi afastada após suspeita de que não tinha registro no CREA e, como consta, acabou conseguindo a proteção do gabinete do prefeito.

MUITO MAL

O tema corrupção não estimulou os deputados e demais políticos rondonienses a fazer pelo menos discursos sobre a prisão de Rover. Talvez pelo efeito Orloff. E essa semana, graças ao feriado prolongado (segunda será ponto facultativo), o assunto deve continuar no esquecimento.

Enquanto isso a corrupção rondoniense vai continuar produzindo desvio de dinheiro público, favorecimento político, fraudes, nepotismo,  uso ilegal do poder e da função pública em todas as suas formas.

No nível da gestão municipal há pelo menos o alívio de saber que Hildon Chaves está chegando para revelar os caroços escondidos debaixo desse angu.