Em Linhas Gerais: Para certos candidatos tempo demais da TV é como uma estrada cheia de buracos e curvas difíceis

Gessi Taborda

Publicada em 22 de August de 2016 às 10:01:00

getaco@gmail.com

FILOSOFANDO

No fim tudo da certo, se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim”. Fernando Sabino (1923/2004), jornalista e escritor brasileiro, autor de “O Grande Mentecapto”, uma de suas obras mais conhecidas. É pai da cantora e compositora Verônica Sabino.

AGONIA

O deslizamento de parte da margem do rio Madeira em Porto Velho arrastando dezenas de carretas carregadas de piche para o leito do rio tem estimulado um desfile constante de ativistas em favor da preservação ambiental e do patrimônio histórico e cultural da cidade nas redes sociais (especialmente no Facebook) fazendo denúncias graves da omissão de autoridades na defesa do ecossistema do Madeira e do patrimônio histórico lindeiro da cidade, especialmente no traçado da mítica Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

CALADOS

É inegável que o formoso Rio Madeira está vivendo momentos de agonia. As hidrelétricas construídas ao peso de um enorme desmatamento, a constante presença de dragas na baixada portovelhense, a ocupação ilegal de suas margens por empresas do setor de combustíveis, de navegação e de logística de transporte agem como ferramentas de agressão ambiental. Até agora as autoridades públicas do município e do estado continuam mudas, como se não tivessem nada a ver com isso.

Até esse momento somente os pescadores afogados na desilusão criada pelo represamento do rio e os ribeirinhos é quem grita contra essa agressão absurda. Pena que esses gritos não ecoam nos palácios e nas instituições de vigilância dos interesses da sociedade. Enquanto isso, as agressões vão continuar e o rio continuará secando, sendo assoreado inexoravelmente.

LATRINAS

É verdade que a capital rondoniense figura entre as cidades com menores índices de esgotamento sanitário do país. Também é verdade a completa omissão da prefeitura em executar programas de preservação das áreas lindeiras aos nossos igarapés.

O prefeito sequioso para conquistar um novo mandato, mesmo sendo médico, praticamente fechou os olhos para programas de retificação e igarapés e preservação dos cursos d’água da cidade e assim canais e igarapés de Porto Velho.

Eles vão continuar como verdadeiras latrinas espalhando doenças, criando insetos, aumentando a fedentina e provando, mais uma vez, como as últimas gestões públicas dessa capital pouco se lixa para transformar a péssima qualidade de vida de nosso povo. E mesmo assim na bolsa de apostas não falta torcida para uma vitória do prefeito mequetrefe.

ABANDONO

É difícil não apontar exemplos de abandono da cidade pela prefeitura nos quatro cantos de Porto Velho.

Praças, logradouros públicos que deveriam servir ao lazer são um lixo. Mas se há um tipo de abandono que revolta e ao mesmo tempo envergonha quem tem raízes fincadas na capital rondoniense é aquele que se verifica nos cemitérios públicos.

Agora mesmo noticiou-se a queda (novamente) do muro do Cemitério dos Inocentes. Levando-se em conta a lerdeza com que age a prefeitura, será difícil prever uma data para a recuperação daquele local.

MURCHA

Poderia até ter acontecido um aumento da temperatura da campanha eleitoral de Porto Velho no 21 de agosto, que foi domingo. Mas desde seu início até agora a campanha parece nem existir. Campanha murcha, esquinas frias, candidatos em baixa na vitrine eleitoral, pagando a conta dos desacertos dos governos, das pisadas de bola dos vereadores... O povo continua querendo ver político pelas costas.

E ELES VIBRAM

E nesse cenário de desânimo tem certos coordenadores de campanha vibrando com a vantagem conseguida na distribuição do tempo no rádio e na TV. Esquecem que para certos candidatos tempo demais da TV é como uma estrada cheia de buracos e curvas difíceis. Suas longas aparições terão o efeito de uma tortura para o eleitor que, claro, vai preferir desligar o rádio e a televisão para fugir especialmente daquele tipo de candidato cujo glamour parece mais com uma cabeça de repolho mal fechada. Isso sem falar naquela voz de taquara quebrada.

PULANDO FORA

Ninguém topa ficar num barco à deriva, com risco de ir a pique. Depois dos espetáculos das “comunas” na defesa de Dilma, ampliando a gritaria de “golpe”, até Aldo Rebelo caiu fora do PCdoB. Ele ainda não definiu sua próxima legenda. Também em Porto Velho haverá uma desidratação enorme dos quadros políticos nos partidos vermelhos, especialmente se seus nomes de expressão na Câmara não retornarem na próxima legislatura.

PREVISTO

Como a coluna previu com bastante antecedência, o pretenso candidato do PT, Roberto Sobrinho, sofreu impugnação do Ministério Público Eleitoral. Assim como a coluna antecipou, o MPE está convencido de que Sobrinho permanece inelegível. Ao confirmar sua candidatura, o PT de Porto Velho apenas reafirmou seu desprezo pela legislação, como se petistas não tivessem de cumprir a lei. Mesmo inelegível, não duvido nada se o tal candidato continuar fazendo campanha mesmo com o risco de que lá frente seus votos nem sejam contados. Isso já aconteceu antes na disputa eleitoral rondoniense. Eles nunca acreditam na seriedade da Justiça.

PERPLEXIDADE

É uma coisa que vem de cima. Ao confirmarem o nome daquele sujeito que deixou a prefeitura indo para o xilindró, que pelos métodos adotados em sua (??) gestão motivou que a prefeitura passasse a ser chamada de Caverna do Ali Babá, o PT criou a mesma perplexidade que sempre tivemos com a “esquerda” que ocupou o Planalto central do país nos últimos anos sob o guarda-chuvas do lulopetismo.

Na prefeitura, o agora impugnado candidato petista, demonstrou o enorme abismo entre seus discursos e a prática dos métodos que não só já proporcionou condenações (e inelegibilidade) como ainda acrescenta novas denúncias do Ministério Público ensejando novos processos à fileira que tramita na esfera judicial. Como um sujeito desses ainda tem o despautério de pedir para voltar ao lugar onde nunca deveria ter estado?

NO LIXO

Para o colunista, Porto Velho jogou oito anos de sua vida no lixo com a gestão petista. Ou você, caro leitor, ainda acha natural o gasto de quase 20 milhões de reais na tal praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que, como se vê, continua tão degradada como antes? E o pior é reconhecer como perdidos também os últimos quatro anos da gestão que termina...

Que bem coletivo a gestão petralha deixou para a cidade? A  reforma (rárárárárá) da praça das Caixas D’água? Os botecos do Ginásio de Esportes Cláudio Coutinho ou a própria reforma (milionária) da praça de mesmo nome, fortuna torrada só para benefício de quem participou da farra com o dinheiro público até agora impune?

 

ESCÂNDALOS

Tomara que nosso eleitorado nesse ano pare de votar em candidatos que, quando chegam à prefeitura, repetem as doses de escândalos dos antecessores, mostram-se despreparados para gerir uma comunidade complexa como a nossa. É triste assistir a cidade de Porto Velho se desmilinguir como aconteceu nas cinco últimas gestões.

Chega de gestões incapazes de gerir quitandas mandando na cidade.

É estarrecedor imaginar o tamanho do caradurismo de alguém legalmente impedido de se candidatar anunciar-se como candidato na esperança de conseguir escapar da certeira decisão da Justiça. Está de parabéns o procurador eleitoral Héverton Aguiar, evitando mais uma farsa capaz de enganar eleitores.