Mesmo sendo favorito no ninho tucano, Expedito se mantém reticente

Gessi Taborda

Publicada em 07 de março de 2017 às 15:21:00

getaco@gmail.com

FILOSOFANDO

“Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números.” ITAMAR FRANCO(1930/2011), foi o 33º

  Presidente do Brasil. Bacharelou-se em engenharia civil eletrotécnica e ingressou na carreira política em 1958, quando foi candidato a vereador de Juiz de Fora, sendo derrotado. A primeira vitória eleitoral veio pelo MDB, partido pelo qual se tornou prefeito de Juiz de Fora entre 1967 a 1971.

ESVAZIAMENTO

Carlos Fernando dos Santos, um dos procuradores da força tarefa da Lava Jato, trouxe ao conhecimento da opinião pública uma revelação preocupante. Ele denunciou que estão tentando um esvaziamento lento e gradual da operação, atribuindo-lhe efeitos negativos principalmente sobre a economia, ressentida da paralisia das empreiteiras.

AMPLA

A operação Lava Jato está prestes a fazer três anos. Nesse tempo, realizou a mais ampla e profunda investigação até hoje feita sobre o patrimonialismo no Brasil, demonstrando como políticos e empresários se apropriaram do patrimônio público do país. Rondônia não ficou de fora da investigação, com políticos do estado na mira da Lava Jato.

TODO DIA

Não temos no estado (ainda) juízes como Moro, mas mesmo assim praticamente todos os dias a mídia rondoniense divulga matérias sobre a condenação de políticos de todos por atos de improbidade e corrupção em vários municípios. E falta investigar muito mais, assim como também acontece no âmbito da Lava Jato.

COMO ESTÁ

O tempo, no entanto, trabalha contra a Lava Jato. Nota-se já um cansaço da opinião pública, do qual se aproveitam os que temem a ação punitiva da operação, interessados em atrapalhar as investigações e obstruir a Justiça, “para que tudo fique como está”. É natural que os políticos com culpa em cartório tratem de salvar a própria pele. Não é atoa que por aqui também políticos que deveriam estar no xilindró continuam foragidos e, mesmo assim, influenciando a vida pública do estado.

É UMA PRAGA

É preciso não se deixar levar pela falácia de políticos que não querem ver nada mudando. A corrupção é a grande praga que, como câncer, corrói o Brasil e, claro, Rondônia. Não dá para se esquecer de escândalos como (só para exemplificar) o praticado no “Espaço Alternativo” que serviu para alimentar a ganância de políticos do interior, apoiados pelo governo.

O que enfraquece a economia é a corrupção, ao instituir o financiamento de campanhas políticas com recursos desviados do Estado. Os contratos das empreiteiras são obtidos não por mérito, mas por arranjos entre elas e mediante o pagamento de propinas.

ABALADA

Embora os principais defensores do senador Valdir Raupp relutem em aceitar que sua suposta candidatura sofra impacto com seu envolvimento no escândalo da Lava Jato e com as denúncias de recebimento de propina via Belo Monte pelo STF, analistas políticos pensam diferentemente.

Acreditam que as chances de permanecer como o ícone principal da política do estado no cenário nacional são bastante reduzidas.

Para complicar ainda mais, a denúncia feita pelo diretor Henrique Prata, da unidade rondoniense do Hospital do Câncer de Barretos, de apadrinhamento da Clínica São Peregrino em desfavor do HCB pode pesar contra Raupp, embora o próprio Henrique Prata tenha livrado a cara do senador nesse imbróglio.

EXPEDITO

Diante de tantos indícios de contaminação do setor político rondoniense, quem passa a ficar numa situação mais confortável para 2018 é o ex-senador Expedito Júnior, hoje com a ficha limpíssima e sem qualquer restrição no judiciário, que consolida sua posição de favoritismo no ninho tucano, tanto para disputa ao governo estadual como ao Senado. Mesmo ileso da contaminação dos caciques locais, Expedito tem evitado falar sobre seu projeto para a disputa do próximo ano.

RESGATE

Parcela da opinião pública começa a ficar impaciente com a demora do prefeito Hildon Chaves em começar, de fato, o resgate de uma cidade jogada no fundo do poço pela irresponsabilidade das gestões anteriores em cumprir determinações legais. Ações como a retirada dos camelôs e marreteiros dos logradouros e passeios (calçadas) públicos é só uma questão de decisão politica, já que há leis disciplinando o assunto. É coisa pequena, mas servirá para demonstrar que dessa vez há um prefeito capaz de enfrentar e resolver questões fundamentais para resgatar a qualidade da vida urbana da Capital.

TERROR

Os políticos brasileiros da atualidade são desprovidos do verdadeiro respeito aos direitos da maioria do povo. E pelo visto carecem de simancol ao acreditar que será fácil manter enganada a população. Esse comentário, como não podia deixar de ser, remonta a questão da publicidade que se faz (paga com dinheiro público) não só aqui em Rondônia, mas, isso mesmo, no Brasil.

Dizer que se a reforma da Previdência não for aprovada vão acabar todos os programas sociais, a começar pelo Bolsa Família, é um terror desnecessário. É a mesma coisa que dizer quem “com Temer o Brasil melhora”. Na atual conjuntura, com desemprego, com insegurança, com falta de investimentos, é um tiro no pé.

PÉSSIMA

Em relação a Rondônia, a coluna reafirma que a propaganda paga com o dinheiro do contribuinte para “melhorar a imagem” do governo e dos políticos não é só péssima (motivo pelo qual não surte o efeito esperado pelos morubixabas do Executivo e do Legislativo), mas também abusiva.

Como ela segue a rota a enganação (Me engana que eu gosto!) deveria motivar o Ministério Público e o Tribunal de Contas a se mexerem para estancar esse ralo. Não é com esse tipo de propaganda que o governo e os políticos vão melhorar a situação das instituições. Hoje não chega a 10% os rondonienses dispostos a acreditar que a vida melhorou no estado em função do governo e da classe política representativa.

CONVERSANDO

Uma confidência vazada por um deputado muito próximo ao presidente da Assembleia garantiu que há conversas ocorrendo nos bastidores entre interlocutores de políticos importantes do PSB (como é o caso do prefeito de Ji-Paraná) e Maurão de Carvalho, postulante à indicação do PMDB para disputar o governo no próximo ano. As conversas, de acordo com a fonte, rolam com discrição, como um namoro político que pode se tornar explícito. No caso de Jesualdo, tido como satélite de Acir Gurgacz, esse “namoro” pode ter desfecho imprevisível.