DIVIDINDO O BOLO DO FRACASSO DA EDUCAÇÃO: A FATIA QUE CABE AOS ALUNOS!

Prof. Diogo Tobias Filho

Publicada em 30/09/2011 às 17:23:00

As fatias do bolo recheadas de problemas crônicos que não desgrudam da educação são sempre divididas entre seus tradicionais convivas: as duas maiores fatias são entregues em pratinho de papelão para o governo e, não descartando certa postura injusta, para os professores. Ainda sobra um belo naco para a escola e outro bem menor tem que ser digerido pelos pais.

Mas sobra uma fatia exposta à omissão de todos, e ninguém ainda teve coragem de entregá-la, talvez por tal missão ser nos tempos atuais, politicamente incorreta. Faço questão de oferecê-la, sem o menor pudor de ser contestado, a quem por direito merece, pois já é hora de um grupo numeroso sentar-se à mesa e assumir sua responsabilidade pela fatia de bolo com cobertura de fiasco no processo de ensino-aprendizagem: os alunos!

Com o advento da internet, grande parte dos discentes prefere usar a rede mundial de computadores para se divertir em games, conversar pelo msn ou similares, teclar nos sites de relacionamentos e sucedâneos. Enquanto desperdiça horas com mensagens inócuas refestelada por uma linguagem peculiarmente medíocre, são poucos que atinam a baixar e ler textos produtivos ou navegar em sites culturais.

Sequer veem o novo tempo da educação, onde o mesmo computador que utiliza para a futilidade desmedida, por outro lado, representa uma poderosa ferramenta para auxiliá-lo na construção do saber, de uma forma prazerosa, divertida, e plena de alternativas de pesquisa se souber aproveitá-lo. A internet produz o veneno e o remédio ao mesmo tempo. Cabe ao usuário a opção!

Enquanto isso, na escola, numerosos discentes reclamam por não saber redigir um texto de vinte linhas como se o professor de português tivesse uma fórmula mágica de ensiná-los a colocar no papel o que pensam sobre determinando tema. Jamais farão isso porque a solução para escrever bem é se apropriar — através do excesso de leitura — da riqueza vocabular. E são poucos os que se interessam em dominar as técnicas.

Quem vive a realidade cotidiana da sala de aula, defronta-se, não raras vezes, com dificuldades em superar a letargia dos alunos em ler o mínimo possível. Alguns, mal-alfabetizados, sequer conseguem decifrar as garatujas no papel. Dominam bem o celular, aparelhos de áudio, os jogos na net, as conversas paralelas e sucedâneos. Entretanto, fluência da língua, interpretação de textos, cálculos, etc., salvo exceções, não aprendem nem demonstram interesse.

Nada contra o atual contexto onde as novas tecnologias da informação e da comunicação ultrapassam o corpo físico, transformando-se em extensões do pensamento e dos sentidos, potencializando as ações humanas. Há anos, os professores gaúchos utilizam o computador como ferramenta auxiliar na alfabetização.

Todavia, com o limiar do novo século marcado pelo incrível desenvolvimento tecnológico, onde alfabetizada será a criança que utilizar com destreza o computador em detrimento da escrita manual, questionamos se ainda há meios para pais e mestres reverterem esta situação de indiferença dos alunos, sobretudo porque, as escolas estão sucateadas, os investimentos escorrem pelo ralo da corrupção e os bons professores se tornaram uma espécie em extinção.

Se não há solução em curto prazo, o bolo do fiasco educacional continuará a ser fatiado entre os convivas de sempre. Alunos, sentem-se à mesa e bom apetite!

O autor é ex-professor de filosofia*