Novela Helen Ruth muito longe do desfecho final

Gessi Taborda

Publicada em 16 de março de 2017 às 08:28:00

getaco@gmail.com

FILOSOFANDO

“O Brasil vive um regime de cleptodemocracia.” GILMAR MENDES (1955), é Ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2002. Foi advogado geral do Brasil em 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso, responsável por sua indicação ao STF.

SUAVE

Em Rondônia as greves iniciadas ontem não chegaram a afetar seriamente a vida dos cidadãos, especialmente em Porto Velho, como ocorreu nas grandes capitais do país. Nem mesmo a paralisação convocada pelos sindicatos mais fortes dos servidores, tipo o Sintero, repetiu as mobilizações do passado. Uma clara evidência de que as lideranças dos servidores estão vivendo um inexorável tempo de decadência, especialmente pelo descrédito de grande parte da população com os partidos políticos enfronhados no sindicalismo público.

DIREITO

Greve é um direito constituído, como está no artigo 9º da Constituição Federal. Mas grevistas precisam respeitar os limites que preservem as necessidades inadiáveis da comunidade, conforme prega o parágrafo primeiro deste artigo. O cenário de Porto Velho ontem foi um exemplo de como as lideranças das diversas categorias em nossa capital não têm o mesmo poder antigo de colocar nas ruas seus liderados. Tirando a manifestação (pequena) do Sintero, ninguém viu aqui as paralisações do segmento do transporte público, como ocorreu em outras capitais. Os ônibus circularam normalmente, com as deficiências de sempre.

BANALIZADAS

Mas há, aqui também, um descontentamento generalizado. A bronca do momento é a reforma da previdência. Várias categorias estão indignadas. Sem conhecer profundamente o assunto, é bem verdade. E mesmo assim faltou a adesão – como aconteceu em outros estados – de policiais civis, empregados da construção civil, motoristas e cobradores e servidores públicos em geral.

Paralisações estão se banalizando no país. Algumas integram, há muito tempo, o calendário anual do cidadão. A ponto do cidadão-contribuinte-eleitor saber que em alguma época ficará sem serviço bancário, noutra sem transporte público, em seguida terá que deixar os filhos com parentes por causa dos protestos de professores.

COMEÇO

É claro que o movimento paredista pode continuar e até se ampliar. Ontem foi apenas o começo da mobilização popular contra a reforma. Dez centrais sindicais estão apoiando o protesto, entre elas CUT, Força Sindical e CGT, que são as maiores. Vai começar também uma campanha em cada estado para pressionar os respectivos parlamentares.  Em Porto Velho o número de manifestantes reunidos ontem na praça da EFMM chegou a quase mil trabalhadores de diversas categorias.

DEPUTADOS

Em Rondônia, adiantando-se a outros parlamentos, os deputados realizaram, no âmbito da Comissão de Educação, reunião com a participação dos deputados Adelino Follador (DEM) e Ribamar Araújo (PR) em que se analisou os possíveis prejuízos para a classe trabalhadora com a aprovação do projeto de reformas da Previdência Social do governo Temer.  É a primeira batalha de uma guerra que será travada no Congresso e nas ruas, nas redes sociais e também na imprensa. A revolta é muito grande mas ainda não há sinalização de uma ruptura social no país.

FORAGIDA

É imprevisível o desfecho na novela da foragida da Justiça, ex-vereadora e ex-deputada Helen Ruth, de acordo com uma fonte bem informada. Em certos círculos políticos prevalece a suspeita de que Helen Ruth continua foragida no Rio de Janeiro. Até recentemente prevalecia a versão de seus patronos legais tentavam negociar uma delação premiada da ex-parlamentar, o que possibilitaria a ela entregar-se à Justiça.

APREENSÃO  

Ontem a fonte dava indicações de que o que Helen Ruth estaria disposta a fornecer em sua delação premiada não passava de migalhas e por isso as tratativas não prosperaram. Se a ex-deputado ampliar o volume de denúncias com as façanhas de seus ex-companheiros do legislativo, é possível que a delação premiada seja aceita. E se isso ocorrer, a fonte afirmou, vai aumentar o clima de apreensão não só no Legislativo mas também em áreas importantes do governo e de instituições do controle externo.

TRIBUNAL

Até hoje não se sabe se o Tribunal de Contas de Rondônia fez algum levantamento e se deliberou sobre uma antiga maracutáia que custou uma montanha de dinheiro da municipalidade, consumido para pagar o tal Programa de Mobilidade Urbana – ainda dos tempos em que o PT dominou a prefeitura – que, dizia-se na época, transformaria as calçadas e outros passeios públicos em áreas seguras para o uso de pedestres, especialmente para idosos e pessoas com deficiências. Hoje é fácil constatar que as obras nunca foram concluídas e nem atingiram os objetivos propostos. Certamente é caso merecedor de auditoria do Tribunal e investigação até o Ministério Público.

SHERLOCK

Certamente os órgãos do controle externo rondonienses não possuem alguém com a capacidade de investigação do mítico Sherlock Holmes. Todavia, será que deveríamos esperar algo como uma Lava Jato na capital para saber tudo sobre os desvios ocorridos nas obras da Vieira Cahulla desde os tempos petralhas? Será que ninguém vai para a cadeia pelos tais desvios com pagamentos de uma empreiteira do cartel petralha que nunca terminou a obra?

DRAGÃO

Um deputado rondoniense comentou ontem que ainda funciona no estado “o mecanismo” de exploração dos interesses maiores da sociedade, atuando como “uma quadrilha” de fornecedores do estado, contando quase sempre com apoio de políticos importantes e com a omissão de outros poderes.

Com o compromisso de ter seu nome no anonimato, esse parlamentar conhecido como “um sujeito incorruptível”, contou que “esse dragão da maldade” toma conta de todas as esferas públicas: Legislativo e Executivo, dos governos municipais, estadual e das empresas estatais, superfaturando obras, serviços prestados, ou meramente fictícios, legitimados por contratos aparentemente legais (especialmente no segmento da publicidade) escondendo prevaricações, fraudes, cooptações e todo tipo de perversidade contra os reais interesses da população.