Sociobiodiversidade tem potencial econômico e fortalece a conservação da natureza, diz técnica da Sedam

Feira é oportunidade para pequenos produtores mostrarem seus produtos.

Publicada em 28 de November de 2016 às 13:44:00

Feira  oportunidade para pequenos produtores mostrarem seus produtos

Sociobiodiversidade, conceito que dá nome à feira que neste ano acontece pela segunda vez em Guajará-Mirim, a 330 quilômetros da capital de Porto Velho,comporta potencial econômico expressivo e fortalece a conservação da natureza, o que interessa à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), afirma a engenheira florestal Celi Arruda Lisboa, da Coordenadoria de Unidades de Conservação.

Rondônia tem as duas riquezas que moldam o conceito: expressiva biodiversidade (natureza em biomas diferenciados, destacando-se a Amazônia) e diversidade sociocultural (quilombolas, extrativistas, agricultores familiares e indígenas). A sociobiodiversidade é, explica Celi Arruda, a inter-relação entre estas riquezas, afirmando-se como uma política pública voltada ao fortalecimento das cadeias produtivas da floresta.

“Já se sabe que os produtos da floresta têm enorme potencial econômico. Empresas estão investindo em fármacos, cosméticos, alimentos.  Mas é preciso organização para explorar os produtos, mais investimentos e apoio”, diz Celi Arruda, lembrando que a Sedam é responsável por gerenciar 40 unidades de conservação em Rondônia, e em muitas delas podem ser desenvolvidas cadeias produtivas para geração de renda em benefício das comunidades que exploram a floresta.

Celi Arruda e outros técnicos da Sedam e Emater estiveram em linhas rurais de Nova Mamoré em dia anterior ao início da 2ª Feira da Sociobiodiversidade para divulgar o evento e falar sobre a importância da sociobiodiversidade. No distrito de Palmeiras, para agricultores da linha 21, ela alertou para que mantenham a integridade física do Parque Estadual de Guajará-Mirim, unidade que protege a nascente de vários rios.

Celi Arruda e outros tcnicos da Sedam e Emater estiveram em linhas rurais de Nova Mamor

Celi Arruda e outros técnicos da Sedam e Emater estiveram em linhas rurais de Nova Mamoré

“A feira é um instrumento interessante porque é uma oportunidade para o seringueiro trazer seu produto, o ribeirinho, o produtor rural e as próprias comunidades da cidade mostrarem o que elas fazem. De repente uma pessoa de fora chega, vê o que se produz e diz, olha, vamos melhorar o que você está produzindo”, diz Celi Arruda.

A engenheira florestal e técnicos da Emater, Sepog e Seagri querem fazer um movimento mais forte para ampliar investimento na sociobiodiversidade. “A Rondônia Rural Show é sucesso devido ao peso do agronegócio em nosso Estado, mas a sociobiodiversidade pode crescer, e Guajará-Mirim está bem representando, tem duas reservas extrativistas estaduais e uma federal, a Barreira das Antas, o Parque Estadual pode ser usado no turismo e pesquisa”, diz.

Há o entendimento por parte dos técnicos de que a Sedam tem a obrigação não apenas de proteger e gerenciar as unidades de conservação, mas também melhorar a qualidade de vida das comunidades que vivem nessas unidades. “Mesmo com investimento em proteção, a pressão sobre as reservas é grande, há muita invasão então temos de apoiar mais a sociobiodiversidade. Isso interessa à Sedam, porque promove uma ação econômica, fortalece a conservação da natureza, reduz o desmatamento”, afirma.

A Feira da Sociobiodiversidade de Guajará-Mirim é um desdobramento, segundo Celi Arruda, de uma política anterior no âmbito da Secretaria de Estado do Planejamento, Seplan.  “Havia um Núcleo de Arranjos Produtivos Locais e nele estava inserido a sociobiodiversidade da região de Guajará Mirim e de Nova Mamoré”, diz Celi Arruda.

 


Fonte
Texto: Mara Paraguassu
Fotos: Esio Mendes